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É possível fazer renegociação salarial em tempos de pandemia?

O assunto exige, desde sempre, jogo de cintura por parte de quem está em busca de mudar de cargo. Mas como fazer isso agora? Veja os insights de um expert





A pergunta que não quer calar: é possível fazer uma renegociação salarial em pleno tempo de pandemia? Se essa já é uma situação complexa em qualquer condição que seja, fica mais complicado, em tempos de incerteza, saber por onde começar. Mas negociar seu valor em um cargo e pedir uma promoção ou uma valorização salarial não é algo impossível, que deva ser retirado dos planos durante 2021.

Há áreas profissionais que não sofreram tanto com a chegada de Covid-19 e onde a mobilidade de cargos segue acontecendo. Em outras, é preciso tatear o território antes, abrir conversa com a chefia e sentir o clima dentro da empresa. Seja para uma situação ou para outra, consultamos um expert para saber por onde começar.

“A primeira coisa é ter consciência de como está a situação da empresa e fazer uma avaliação consciente se vale a pena ou não pedir um aumento. Isso ainda não significa o não, significa uma avaliação criteriosa para verificar a possibilidade”, começa explicando Rogério Bragherolli, economista especialista em capital humano e empregabilidade com 35 anos de experiência em cargos de liderança em diversas empresas no mercado corporativo. Acompanhe os principais insights.


Por onde começar?

“O mundo está de cabeça para baixo e vai continuar. Particularmente, eu acho que não é a hora de se pedir um aumento, porém isso depende de como estão os negócios da empresa onde você trabalha”, explica inicialmente Rogério Bragherolli. “Cada caso é um caso, não podemos fazer uma avaliação geral. É preciso se avaliar de uma maneira individual e circunstancial, e ter em mente porque você está pleiteando um aumento. E, este motivo pode ser por estar produzindo mais, por estar em uma função na qual a sua performance é acima do normal, porque está trabalhando por mais tempo, é preciso ter um motivo para esse pedido de aumento”, afirma Bragherolli.

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Erros mais comuns

De acordo com o economista, o erro mais comum é pedir o aumento por pedir, por achar que está ganhando pouco. Ou ainda, porque seu colega recebeu aumento e você não. “Uma coisa muito ruim é pedir aumento porque seus colegas tiveram. Como profissional, você tem que se preocupar com a sua carreira, por isso tem que ter um embasamento claro e objetivo do porquê desse pedido”, recomenda Rogério.

“Outra vez, reforço que cada caso é um caso. Não é porque outras pessoas da equipe tiveram aumento, porque a inflação chegou ou porque fazem dois anos que você não teve aumento. Tem que haver um bom motivo, principalmente nesse momento de pandemia”, diz. “Precisa ser algo baseado em algum ponto sólido, é preciso saber o porquê para ter uma conversa no mínimo aberta para que se tenha senso na situação que estamos vivendo”, completa.


Como se preparar?

“Claro que não existe uma receita de bolo, você precisa criar uma história com incentivo para que possa pedir esse aumento”, afirma. Quer exemplos? Rogério indica: “Estou pedindo um aumento porque estou trabalhando mais horas por dia, ou porque eu tenho um nível de eficiência muito maior que a média das pessoas que estão na mesma função. Ou ainda, estou pedindo um aumento porque entendo que a minha função está acima do meu nível salarial. Uma das coisas é pegar alguns quadros de salários e verificar como você está em relação ao salário médio da sua função”, diz.

De uma forma geral, ele recomenda: “se prepare, tenha argumentos solidificados e faça uma conversa transparente, sem embate ou brigas”.


Carreiras propensas à promoções

Será que isso existe, principalmente no momento atual em que vivemos? O expert acredita que sim: “Acho que o grupo de trabalhadores é dividido em duas classes. A primeira classe é a parte dos trabalhadores comoditizados, que são os comuns, com poucos anos de estudos, suscetíveis a substituições”, explica Rogério. Esse profissional poderia, por exemplo, ser substituído por outro ou por processos de automatização e robotização.

“Essa camada de trabalhadores tem problemas para pedir aumento salarial, porque de seu lado há pouca força de negociação. Infelizmente o Brasil deve ter cerca de 80% de trabalhadores nessa camada”, enfatiza o economista. Para completar, segundo ele, “existe a classe dos trabalhadores diferenciados com um nível de especialização acima da média, que são os trabalhadores com mais tempo de estudo, e que possuem maior produtividade. Essa classe pode ter mais força em uma negociação salarial”, afirma.


Aumento de salário negado: e agora?

“O ‘não’ faz parte do jogo”, indica Rogério Bragherolli. “A primeira coisa em caso de uma negativa é entender o porquê. Se foi por motivos financeiros da organização ou porque seu chefe acha que sua performance não é adequada”, enfatiza ele.

“É o caso de aprender com a negativa e entender o motivo para que, na próxima vez que fizer uma solicitação, esse pedido seja aceito. A negativa acontece, às vezes. É preciso entender e depois trabalhar para reduzir a possibilidade de que isso aconteça no futuro”, diz. Isso significa que se a performance não está boa, você pode avaliar e entender onde melhorar: “Peça um feedback”, sugere.


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